Stephen Daldry e seu "Trash", possíveis indicados ao Oscar

O TNT já está pensando na Temporada de Prêmios e no que está por vir. O britânico e seu filme poderão ser um dos candidatos.

Poucos cineastas podem ter seus filmes indicados ao Oscar. Podemos contar nos dedos aqueles que conseguem, pois fazer um filme por ano já é uma façanha para qualquer diretor. O britânico Stephen Daldry, nascido em Dorset é, sem dúvida, um desses felizardos. Faz TV, documentários, dirige e produz e, às vezes, escreve. Meticuloso, seletivo e muito detalhista nos filmes que faz. Um diretor incansável. Vem conquistando mais acertos que tropeços, mostrando um trabalho notável.

Ele ficou bastante conhecido no começo deste século com "Billy Elliot", um filme comovente, bem ambientado, com uma trilha sonora grandiosa e que marcou a apresentação de uma jóia rara, o ator  Jamie Bell. Filme que arrebatou os membros da Academia com três indicações: Melhor Diretor (Daldry), Melhor Atriz Coadjuvante (Julie Walters) e Melhor Roteiro Original (Lee Hall). 

Dois anos depois ele trouxe uma história forte, difícil e deprimente chamada "As horas" (The Hours). Um grande elenco numa trama complexa, envolvendo três histórias diferentes e dramáticas. Um filme que conquistou nove indicações ao Oscar: Melhor Filme, Melhor Direção (Daldry), Melhor Ator Coadjuvante (Ed Harris), Melhor Atriz Coadjuvante (Julianne Moore), Melhor Roteiro Adaptado (David Hare), Melhor Edição, Melhor Figurino e Melhor Música Original. Mas só ganhou em uma, a de Melhor Atriz para Nicole Kidman, que subiu ao palco do Teatro Kodak para receber das mãos –e também beijar – do ator Denzel Washington o tão almejado prêmio. 

Depois de seis anos, o diretor filmou "The Reader" (conhecido no Brasil como "O Leitor"). Mais uma vez, expôs uma história dramática com um toque de erotismo. Uma trama permeada por obsessão, redenção e arrependimentos.  O filme conquistou cinco indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor (Daldry), Melhor Roteiro (David Hare), Melhor Fotografia (Roger Deakins) e Melhor Atriz Principal para Kate Winslet. Três anos depois estreou "Tão Forte e Tão Perto" (Extremely Loud and Incredibly Close), uma história triste sobre pais e filhos, dor e abandono. Com menos impacto, conseguiu ser candidato em duas categorias no Oscar: Melhor Filme e Melhor Ator Coadjuvante (Max von Sydow).

Desde aquela estreia, três anos se passaram, e agora Daldry se prepara para apresentar "Trash". A maior parte da história foi rodada no Rio de Janeiro, apesar de o tema não ter a ver com o país. Mesmo com pouca divulgação sobre história até o momento, sabemos que o elenco é estrelado por Rooney Mara e Martin Sheen, e o roteiro escrito por Richard Curtis, famoso por "Um lugar chamado Notting Hill" (Notting Hill), "Realmente amor" (Love Actually) e "Questão de Tempo" (About Time). Mas duvidamos que o cineasta viesse surgir com um filme falando sobre amor simplesmente, pois é de seu costume explorar as misérias humanas, as sensações mais profundas, com tramas um tanto escabrosas (com exceção de "Billy Elliot").

O certo é que todos os filmes de Daldry já colocaram seus atores entre os indicados ao Oscar, reafirmando a maneira brilhante como trabalha com o seu elenco. Já esteve indicado a Melhor Diretor em três ocasiões, assim como seus roteiristas e filmes. Por que não achar então que "Trash" estaria na próxima entrega de prêmios? Esta afirmação não vem apenas das estatísticas, mas pela sua qualidade absoluta e constância em cada um dos seus filmes. 

Ainda é cedo para afirmar se "Trash" e Daldry poderão disputar a tão sonhada estatueta dourada. Entretanto, mesmo que o caminho ainda seja longo e, apesar de ainda não ter estreado (estreia em setembro em Toronto e nos demais lugares em outubro e novembro), baseado no que vem sucedendo nos últimos anos, podemos especular sua possível indicação aos Oscar de 2015. Guardem este nome e fiquem de olho nos atores. Vamos ver o que vai acontecer. 
por Alejandro Cusa
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